Vanderlan: “Brasil precisa agir rápido para liderar setor de data centers”

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O senador Vanderlan Cardoso presidiu na terça-feira (15/4) mais uma audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado Federal para discutir a regulamentação dos data centers voltados à inteligência artificial no Brasil. O debate integra a análise do Projeto de Lei nº 3.018/2024, de autoria do senador Styvenson Valentim.

Foi o terceiro encontro promovido pela comissão sobre o tema, consolidando um ciclo de discussões que busca estruturar um marco regulatório capaz de atrair investimentos e posicionar o país em um setor considerado estratégico para a economia digital.

Durante a audiência, Vanderlan destacou que o Brasil reúne condições favoráveis para se tornar referência internacional em infraestrutura de dados, mas precisa avançar rapidamente na definição de regras claras para o setor.

“Como dizemos em Goiás, estamos vendo o cavalo passar arreado. Precisamos aproveitar a oportunidade. O Brasil pode ser protagonista nesse processo de implantação de data centers”, afirmou o senador.

Especialistas e representantes do setor produtivo que participaram do debate convergiram na avaliação de que o país possui vantagens competitivas relevantes, especialmente na geração de energia limpa, mas ainda enfrenta desafios relacionados à segurança jurídica e à coordenação institucional.

Entre os participantes estiveram representantes de empresas e entidades ligadas ao setor tecnológico e energético, como Gisele Santos, diretora de infraestrutura de data center da Everest Digital; Camila Ramos, vice-presidente da Absolar; Carlos Felipe Farias, vice-presidente da Associação Brasileira de Geração Distribuída; Ronaldo Lemos, cientista-chefe do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro; e Paulo Pedrosa, presidente executivo da Abrace.

Segundo Pedrosa, as decisões regulatórias tomadas nos próximos meses serão determinantes para o posicionamento do Brasil no cenário internacional.

“Os data centers de inteligência artificial vão redefinir soberania, economia e ambiente no Brasil. A forma como o país regular essa infraestrutura nos próximos 18 meses decidirá se lideramos ou ficaremos atrás na corrida global da inteligência artificial”, afirmou.

Potencial de investimentos

O potencial de expansão do setor também foi destacado por Gisele Santos, que citou projeções de até R$ 500 bilhões em investimentos no Brasil até 2030, impulsionados pela crescente demanda por processamento de dados e aplicações de inteligência artificial.

Segundo ela, o país reúne condições para se consolidar como um dos principais polos de infraestrutura digital sustentável da América Latina, graças à combinação de energia limpa, custos competitivos e disponibilidade territorial para grandes instalações tecnológicas.

Experiência de Goiás

A audiência também abordou iniciativas regionais ligadas à inovação tecnológica. Em participação remota, o ex-secretário de Ciência e Tecnologia de Goiás, Adriano Rocha Lima, destacou a experiência do estado com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial, criado em parceria com a Universidade Federal de Goiás.

O projeto recebeu investimento inicial de R$ 12 milhões e viabilizou o primeiro curso de graduação em inteligência artificial do país, além de atrair cerca de R$ 50 milhões em projetos com empresas privadas.

Para Adriano, o Brasil enfrenta uma “janela de oportunidade curta” para se posicionar em um cenário global cada vez mais influenciado por tecnologia, energia e minerais estratégicos.

Relator da proposta, Vanderlan defendeu que o debate avance com foco técnico e pragmatismo. Durante a audiência, o senador criticou o excesso de polarização política em temas estratégicos.

“É preciso separar o que é debate eleitoral do que é trabalho para o país”, afirmou.

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