A humanidade é parte do problema, mas pode ser a solução? Neste episódio do podcast S.O.S! Terra Chamando!, o debate sobre a saúde do planeta ganha um tom de urgência e reflexão ética. Através de uma metáfora médica, o episódio compara os 8 bilhões de seres humanos a uma “microbiota” que, quando em desequilíbrio, adoece o corpo hospedeiro — a Terra. O remédio prescrito pelos especialistas? Uma dose maciça de consciência aliada à ação política imediata.
Um dos grandes desafios da crise climática é o sentimento de paralisia. Para a oceanógrafa e ativista Adriana Lippi, muitas pessoas enfrentam o chamado “luto climático” ao presenciarem a perda de ecossistemas familiares. No entanto, ela explica que esse sentimento deve ser o motor para a mudança.
“A pessoa começa a agir quando vê que não tem como apenas observar. Vem o momento da negociação: ‘é isso que eu tenho, é isso que eu vou fazer’. A partir daí, surge a busca por informação e a mobilização na própria cidade”, destaca Adriana durante o episódio.
Embora a mudança de hábitos individuais seja fundamental, a ciência alerta que a cura definitiva exige mudanças estruturais. O cientista do clima Paulo Artaxo reforça a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa com intensidade e rapidez.
O caminho técnico envolve a transição energética — substituindo combustíveis fósseis por fontes renováveis como eólica e solar — e o investimento em modelos como as agroflorestas, que integram produção de alimentos e conservação ambiental.
No campo das políticas públicas, o Brasil assume um papel estratégico. Moisés Savian, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, aponta que o país já avançou significativamente no financiamento climático. Segundo Savian, o orçamento vinculado a essas questões saltou de menos de R$ 1 bilhão para cerca de R$ 10 bilhões de reais, atraindo o interesse de investidores mundiais para a agenda verde brasileira.
Para o diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Daniel Balaban, o maior obstáculo para a “cura” da Terra é a ideia equivocada de que a preservação ambiental impede o progresso.
“Não existe desenvolvimento sem estarmos integrados com a natureza. Não podemos tratá-la como inimiga”, afirma.
Essa visão integrada já está sendo assimilada pelas novas gerações. O episódio traz o exemplo da pequena Tainá, de 9 anos, que participa de movimentos de plantio e compreende a importância das árvores na purificação do ar e na prevenção de desastres. Para os especialistas o otimismo dessas crianças é o que prova que ainda há tempo para reverter o quadro.
O episódio encerra com um novo horizonte: a conexão com os saberes tradicionais da Amazônia como ferramenta para o futuro do planeta.
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💬 Você pode conferir, no menu abaixo, o roteiro base do episódio, a tradução em Libras e ouvir o podcast no Spotify.
Roteiro base do episódio
S.O.S! Terra Chamando! – Tem Cura?
🎵 Abertura 🎵
🎵 Barulho hospital marcador de sinais vitais 🎵
Dr. Cruz (Pablo Aguilar): Que bom te ver assim, Terra… acordada!
Terra (Georgiana Góes): Gratidão, doutor! E… direto ao ponto: ficarei curada?
Dr. Cruz: Vamos lá! Já sabemos qual é a doença e qual o causador da doença. Mas, para você entender direitinho… vou usar uma espécie de metáfora, tá? Seu corpo, assim como o meu, é habitado de, vamos chamar, microrganismos. Esta microbiota, como a gente diz, é fundamental para o equilíbrio do corpo. Mas, quando alterada, pode causar o caos.
Terra: Tô vendo! Bom, estragos eu sei que já fizeram o suficiente. Se não, não estaria nesta UTI. Imagino até que seja um batalhão!
Dr. Cruz: Bem, no seu caso, são bilhões. Pelo menos 8 bilhões.
Terra: Todos contra mim?
Dr. Cruz: Calma! Tem jeito! Nossa equipe médica está muito animada com uma técnica milenar…
Terra: Milenar, gente? Não tinha algo mais moderno?
Dr. Cruz: Nossas apostas estão na chamada: Consciência.
🎵 Sobe Som 🎵
Adrielen Alves: Até que enfim, chegou o dia!! O dia desse capítulo esperado em que o Dr. Cruz, vivido por Pablo Aguilar, sugere um tratamento. A possível solução para o problema de saúde da Terra, interpretada por Kailani Vinício, nada mais é do que algumas doses de “consciência”!
Dr. Cruz: Já prescrevi… por tempo indeterminado!
Adrielen: E no mundo das metáforas, se a “consciência” é o tratamento milenar, os microrganismos, causadores do caos, seriam… seriam? Acertou quem disse: os seres humanos!
Dr. Cruz: São mais de 8 bilhões desta espécie. Muitos agindo de forma desordenada. Isso explica o esgotamento da Terra.
Adrielen: Ou seja, juntando “lé” com “cré” deste glossário de termos médicos — a consciência ambiental dos humanos pode ajudar a recuperar a Terra. O planeta, no caso.
Terra: E o bom é que é de graça! Ou não?
Adrielen: Bem queria eu dizer que lá está a “consciência” nas farmácias de alto custo do SUS, nosso Sistema Único de Saúde, mas a questão é um pouco mais complexa… Eu sou Adrielen Alves, jornalista de ciência. Este é o episódio onze da primeira temporada do podcast: S.O.S! Terra Chamando! Uma parceria da Empresa Brasil de Comunicação e da Casa de Oswaldo Cruz.
🎵 Sobe Som 🎵
Adrielen: Cons-ci-ên-cia. Se formos ao dicionário, as definições vão de “conhecimento” até “capacidade de discernir” e “capacidade de sentir remorso”.
Terra: Capacidade de sentir remorso? Ihhh…
Adrielen: O fato é que consciência está, sim, ligada à moral, à psicologia, à justiça e à cultura.
Dr. Cruz: Em medicina, chamamos de uma terapêutica de amplo espectro — capaz de curar muitas doenças.
Adrielen: Confesso… consciência pode parecer vago demais para esta missão que é salvar a Terra…
Terra: Eu acrescentaria intuição, voz interior, consciência cósmica…
Adrielen: Pode chamar de consciência cósmica, ambiental, planetária… esta “é” a aposta de cientistas, ambientalistas e lideranças indígenas ouvidos ao longo de toda essa jornada de produção do podcast S.O.S! Terra Chamando!
Bem, se eles estão falando… Mas vamos ver se conseguimos entender melhor esta prescrição do Dr. Cruz. Um passo a passo: da consciência ambiental à ação… Pra ilustrar, eu trago o relato da oceanógrafa Adriana Lippi, que é também uma ativista ambiental. Ela explica que a iniciativa não é tão simples assim. Tem que ter estratégia e acolhimento!
Adriana Lippi: “Muitas pessoas estão muito tristes, muito preocupadas ou mesmo sem esperança, já ‘jogando a toalha’. É importante comunicar, fazer política pública e mobilizar o coletivo.”
Adrielen: Como fazer, então, pra trazer essa galera pro time dos que estão “firmes pela Terra”?
Adriana Lippi: “Eu tentei elaborar essa ideia de luto climático. Eu sou de São Paulo e aqui era a ‘cidade da garoa’. Agora não temos mais garoa, só chuva violenta. A gente sente falta da cidade que era antes!”
Adrielen: E como transformar o luto em luta?
Adriana Lippi: “Quando a pessoa realmente vê que não tem como lidar, vem a raiva. Dos políticos, da humanidade… Passando a raiva, vem o momento de negociação. A pessoa começa a agir: ‘vou me informar melhor’, ‘vou começar algo na minha cidade’.”
Dr. Cruz: Mas, bom lembrar que depois pode vir a depressão e o desânimo, tá!? É um ciclo bem comum!
Adrielen: Por isso a necessidade de uma rede de cientistas e influenciadores bem resilientes!
Terra: E se esses seres forem resilientes como eu… será?
🎵 Sobe Som 🎵
Adrielen: A ciência, na maioria das vezes, é pró-Terra! Mas esta rede conectada tem que ser encabeçada por aqueles que têm a caneta e poder de mando. Porque para reduzir os gases de efeito estufa é preciso vontade política e financiamento. A população de cada país pode e deve participar da discussão e cobrar ações.
Terra: Então, ainda falta conscientizar mais alguém?
Adrielen: Os líderes mundiais. As maiores economias do planeta. As instituições mais influentes do globo. Para além da consciência, ação! Do cidadão comum, mas também da rede do qual faz parte. E, aí, sim! Contar com políticas ambientais, como disse o cientista Paulo Artaxo:
Paulo Artaxo: “Nós temos que reduzir as emissões de gás de efeito estufa o mais rápido possível e de uma maneira a mais intensa possível.”
Adrielen: Como reduzir? A começar pela transição energética — dos combustíveis fósseis para as fontes renováveis; também é preciso reduzir a poluição e combater as queimadas. Além disso, a forma de lidar com as florestas precisa ser mais sustentável. As agroflorestas são uma opção apontada.
E o Brasil, sede da COP 30 em 2025, tem tudo para assumir uma forte liderança. É o que explica Moisés Savian, do Ministério do Desenvolvimento Agrário:
Moisés Savian: “O Brasil já assumiu uma liderança importante na energia renovável. (…) Menos de um bilhão de orçamento anterior passou para perto de 10 bilhões em recursos vinculados à questão climática. Há um interesse do mundo em financiar.”
Adrielen: Ciência, autoridades mundiais e nós, meros mortais? Podemos ajudar a salvar o planeta Terra? Este é Daniel Balaban, do Programa Mundial de Combate a Fome da ONU:
Daniel Balaban: “Nós somos partes da natureza. Não podemos tratar a natureza como inimiga do desenvolvimento. É uma estupidez. Temos que mostrar para as crianças que ainda dá tempo da gente reverter esse quadro.”
Terra: Está tudo conectado!
Adrielen: E a lição de casa já está sendo feita por crianças e jovens, como a ativista Greta Thunberg. Do lado de cá, no Distrito Federal, tem gente dando o exemplo também. Como a Tainá, de 9 anos, que faz parte do movimento “Tempo de Plantar”:
Tainá: “É importante plantar. Se não, a gente vai parar de ter oxigênio puro. As árvores respiram o gás carbônico e liberam oxigênio. As árvores impedem enchentes também!”
Adrielen: Tainá se preocupa com quem mora no Planalto Central e nas zonas costeiras. Que os 8 bilhões de seres humanos se guiem em Tainá.
🎵 Sobe Som 🎵 ambiente hospitalar. Marcador de sinais vitais.
Terra: Como está a situação, doutor? Os monstrinhos estão reagindo ao tratamento milenar?
Dr. Cruz: Tudo no seu tempo. Mas optamos por ouvir um sábio da Amazônia! Está na hora de conectar os saberes!
🎵 Sobe Som 🎵
Adrielen: No episódio doze: a Amazônia de pé e o futuro do planeta.
🎵 Sobe Som 🎵
Adrielen: Este é o S.O.S! Terra Chamando! O podcast sobre a saúde do planeta. Uma co-produção da Empresa Brasil de Comunicação e da Casa de Oswaldo Cruz. Eu sou Adrielen Alves, responsável pela idealização, roteiro e apresentação. A pesquisa e a produção são de Anita Lucchesi e Teresa Santos. A edição de conteúdo é da Julianne Gouveia. A revisão é da Ana Elisa Santana.
Fazem parte da Comissão Técnico-Científica: Carlos Machado de Freitas, Carlos Henrique Assunção Paiva, Diego Vaz Bevilaqua, Dilene Raimundo do Nascimento, Magali Romero Sá e Tereza Amorim Costa. Os atores são Georgiana Góes e Pablo Aguilar. O apoio à produção ficou por conta de Adriana Ribeiro e Victor Ribeiro. A operação de áudio é de Álvaro Seixas, Thiago Coelho, Reynaldo Santos, Thales Santos e Reinaldo Shiro.
A edição final e a sonoplastia são da Pipoca Sound. Este episódio usa áudios de Paulo Artaxo, Daniel Balaban, Adriana Lippi, Moisés Savian e da criança Tainá. Até a próxima!
🎵 Vinheta de Encerramento 🎵
Até a próxima!
🎵 Som de fita voltando 🎵
Beatriz Arcoverde: Também contribuíram na Coordenação de Processos, implementação e publicação nas plataformas de áudio: Equipe da Radioagência Nacional – EBC, Interpretação em Libras: Equipe de tradução da EBC, na edição de vídeo para o youtube: Mateus Araújo e o responsável pela arte: Vinícios Espangeiro.
🎵 Vinheta de Encerramento 🎵
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